Eu não sei como tem gente que pode gostar de inverno. Nariz escorrendo, ir de 5 em 5 minutos no banheiro para o assoar, anosmia (falta de olfato) e, consequentemente, perda de metade do paladar que não consegue aproveitar 100% do sabor das delícias típicas de inverno (chocolate, fondue, etc.), dor de garganta, corpo contraído, pele doentia (não é só pálida, é...opaca, feia)...
Aí meus amigos que odeiam verão dizem: "ai, verão, ficar suando, fedendo...". Sim. E...? Que mais? Ficar coradinha de sol, botar qualquer muda de roupa que já tá bom, ficar mais loira, ter o calor entrando em cada pontinho do seu corpo e se sentir preenchida por ele, céu azul, bonito, colorido...no inverno é tudo gélido, branco, nublado, chuvoso. Acordo e muitas vezes não consigo respirar pelo nariz.
Esta minha aparência engana pra caramba: quem me vê não acredita que eu adoro o veraneio e a praia. E praia mesmo, nada de cachoeira: com aquela areia que gruda na pele e o mar que me dá medo de entrar, mas é bonito de se ver. E salgado, imenso, nossa, muito lindo, muito lindo.
E termino com uma cantiga dos tempos waldorfs de Livre Porto:
"Sol, querido Sol
Sua luz vem me acender
Brilha em mim suavemente
Pra eu também brilhar"
sábado, 25 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Tô preparada.
Eu andava muito insegura de 2008 pra cá (sim, você leu bem: foram anos sentindo o que vou descrever), sempre me deixando cair em tristeza profunda (depressão é uma palavra forte, vá) por uma notinha baixa que fosse. E, a cada nota baixa, eu me achava mais incapaz e burra. Foi assim que eu fiquei: nunca me achava à altura de fazer qualquer coisa do meio acadêmico, de um modo bem geral.
Eis que, ano passado, eu conheço o Gabriel. O Gabriel repetiu na EDEM mas passou no ENEM. Daí que eu soube que o ENEM era, também, um certificado de que você concluiu o ensino médio. Isso me deu uma boa esperança: se ele conseguiu, ora bolas, por que eu também não consigo?
Antes da prova da UERJ, eu andava ainda meio insegura. E resolvi então relaxar nos dois dias que antecederam a ela pra fazer a prova de cabeça fria. Fui na casa do Trope, na pedicure, no cinema. Não me lembro de ter dormido um sono pesado, acho que dormi num constante sono REM (aquela fase do sono em que você está sonhando e que seus olhos se movem rapidamente - Rapid Eyes Moviment).
E sei que fui pra prova mais confiante. E, quer saber? Se nada der certo, valeu como experiência.Tô preparada pro que der e vier. ,)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Várias formas de amar.
8:50. Aula de Física.
Vitória
Fala sem pedir atenção. E nem precisa. Tamanha desenvoltura e confiança fazem todos os olhos voltarem para ela. Sorri de orelha a orelha quando acerta a resposta - e sempre acerta - e abre os olhos quando erra para ouvir a explicação. Aqueles olhinhos cor de mel me fazem esquecer até a pior nota de física.
12:40. Almoço.
Adelaide
Um cabelo tão resplandescente que é capaz de ofuscar nosso astro Sol, que os faz brilhar e me deixa quase cego. As sardinhas na nuca, que gosto de brincar de liga-pontos quando fico atrás dela na fila do caixa, o perfume frutal que exala e continua exalando a dez metros de distância, e que alivia a dor de já não estar mais perto dela.
16:50. Treino de basquete.
Leonardo
De me deixar babando e perder de 50x0 se meu time dependesse só de mim. Sempre cometo alguma falta, de propósito, para ficar no banco de reservas, observando aquele semi-deus com um corpo meticulosamente malhado tentando disfarçar a magreza, de pele branquíssima, que contrasta com os cabelos negros e as sobrancelhas de acabamento enquadrado. Um sorriso que permanece na memória por muito tempo. Ou pelo menos até as próximas quatro horas.
Vitória
Fala sem pedir atenção. E nem precisa. Tamanha desenvoltura e confiança fazem todos os olhos voltarem para ela. Sorri de orelha a orelha quando acerta a resposta - e sempre acerta - e abre os olhos quando erra para ouvir a explicação. Aqueles olhinhos cor de mel me fazem esquecer até a pior nota de física.
12:40. Almoço.
Adelaide
Um cabelo tão resplandescente que é capaz de ofuscar nosso astro Sol, que os faz brilhar e me deixa quase cego. As sardinhas na nuca, que gosto de brincar de liga-pontos quando fico atrás dela na fila do caixa, o perfume frutal que exala e continua exalando a dez metros de distância, e que alivia a dor de já não estar mais perto dela.
16:50. Treino de basquete.
Leonardo
De me deixar babando e perder de 50x0 se meu time dependesse só de mim. Sempre cometo alguma falta, de propósito, para ficar no banco de reservas, observando aquele semi-deus com um corpo meticulosamente malhado tentando disfarçar a magreza, de pele branquíssima, que contrasta com os cabelos negros e as sobrancelhas de acabamento enquadrado. Um sorriso que permanece na memória por muito tempo. Ou pelo menos até as próximas quatro horas.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Veja o sol dessa manhã tão cinza.
Sumida, eu? Vamos recuperar o tempo perdido:
Tenho dormido muito com meu namorado. O problema é que tenho dormido em dia de SEMANA, e a aula dele começa mais cedo (7h) que a minha (7h40), e ele demoooora pra acordar e eu fico morrendo de pena de acordar tal criatura que parece intocável de tão pura, tão mansa e tenra, tranquilo ao meu lado.
Mas temos que acordar. E fica um tal de chamego pra cá, abraço pra lá, carinho acolá...o tempo nunca é nosso amiguinho e quando a gente vê já é tarde e ele acaba se atrasando. E não tem a mesma sorte de ter uma aula que começa tarde.
Na sexta ele tem um descanso a mais, já que o curso de game developer (nerd? Imagina!) começa às 8h. Mas é na Barra e eu moro longe da Barra.
O mais chato é que, com namorado, a gente não liga pra horário e fica acordado até meia-noite, mostrando coisas interessantes na internet, fazendo carinho, trocando opiniões, etc. etc. E não pode dormir tarde!
A última vez fui de camisa listrada tamanho GG - supertendência, tá? Hunf - pra escola, preparei a mesa do café da manhã toda bonitinha e quando vejo são 5 pras 7. E ir pra aula de barriga vazia não pode! Toma pelo menos um copo de leite.
Mas se a gente pensar que estar junto novamente já é uma coisa tão digna, tão maravilinda, vamos nos dar conta de que nem foi tempo perdido. Somos tão jovens e temos nosso próprio tempo. E tenho dito.
Tenho dormido muito com meu namorado. O problema é que tenho dormido em dia de SEMANA, e a aula dele começa mais cedo (7h) que a minha (7h40), e ele demoooora pra acordar e eu fico morrendo de pena de acordar tal criatura que parece intocável de tão pura, tão mansa e tenra, tranquilo ao meu lado.
Mas temos que acordar. E fica um tal de chamego pra cá, abraço pra lá, carinho acolá...o tempo nunca é nosso amiguinho e quando a gente vê já é tarde e ele acaba se atrasando. E não tem a mesma sorte de ter uma aula que começa tarde.
Na sexta ele tem um descanso a mais, já que o curso de game developer (nerd? Imagina!) começa às 8h. Mas é na Barra e eu moro longe da Barra.
O mais chato é que, com namorado, a gente não liga pra horário e fica acordado até meia-noite, mostrando coisas interessantes na internet, fazendo carinho, trocando opiniões, etc. etc. E não pode dormir tarde!
A última vez fui de camisa listrada tamanho GG - supertendência, tá? Hunf - pra escola, preparei a mesa do café da manhã toda bonitinha e quando vejo são 5 pras 7. E ir pra aula de barriga vazia não pode! Toma pelo menos um copo de leite.
Mas se a gente pensar que estar junto novamente já é uma coisa tão digna, tão maravilinda, vamos nos dar conta de que nem foi tempo perdido. Somos tão jovens e temos nosso próprio tempo. E tenho dito.
domingo, 1 de maio de 2011
Contraindo o descontraído
- Antônio! O Alfredo me chamou pra almoçar na casa dele, vamo?
- Ah, sei lá, nem conheço ele...
- Que nada! Não tem essa com ele. Ali todo mundo é da casa, sem cerimônia, num tem frescura.
Sem frescura? Já é, então. Boto meu bermudão, minha camiseta estilo "liberdade pra dentro da cabeça", meu chinelo e vou. Chegando lá, mas que vergonha: um apartamento por andar, 500 m² só na parte de baixo, empregadas uniformizadas, orquídeas...enxergo o anfitrião: relaxado? Tudo pose: camisa pólo Ralph Lauren, bermuda nude, sapato Crocs, chapéu Panamá.
- E aí, cara, tudo bem? O Bruno me falou muito de você.
- Tudo ótimo, claro...- falou bem ou mal? Falou que trabalhava nas Casas Bahia e morava num quarto-e-sala ou que era o primeiro em Geografia e fera no surf?
- Senta aí. Vou trazer alguma coisinha pra vocês beliscarem. Valentina, traz aquele couvert e a manteiga de ervas? Ô, obrigado!
Chega a comidinha. Três tipos de queijo, todos importados. E uma faca para cada um, né? Onde já se viu cortar Gruyère com a mesma faca de brie? Na mesa, livros de artistas renomados, tudo hype: Warhol, Rothko...
- Ih, o pessoal já tá chegando!
Pessoal? Meu deus, socorro! Todo mundo com aquela pose de relaxado, com o visual milimetricamente planejado. A casa era tão grande que não havia interação. Cada um na sua panela, e acaba que a gente não sai pra se divertir, mas pra ficar conversando coisas que se falam em particular, coisas muito pessoais, um clima muito antissocial reinava.
- Senhor, avisa que a comida já está pronta - diz a empregada, coitada, tímida, temendo chamar atenção e ser descontada no salário.
O clima "relax" predominava na mesa também: eram frutos do mar, lula frita, salada de carambola com rúcula baby e cogumelos selvagem. Cara de praia, claro. Mas praia do Hawaii, não do Rio. Praia chique.
Um descontraído tão superficial que as próprias pessoas estavam contraídas, tentando manter a pose não-estou-nem-aí; como se aquele ambiente fosse um fruta, um limão - siciliano! - que eu me situava na casca dele, e quando o espremi para ver se tirava a essência do real descontraído, já estava em casa. Aonde ninguém finge ser melhor do que é e a cerveja somos nós quem servimos.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Sejamos gays. Juntos.
(Retirado do blog www.projetoeusougay.wordpress.com)
Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Itarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.
Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com
3) E só :D
Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.
— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —
terça-feira, 29 de março de 2011
Morando sozinha, com meu primo.
Julia: ...daí minha mãe vai ficar morando esse ano em Cuiabá, e...
Joana: Peraí, você tá morando sozinha?
Julia: Não, tô morando com meu primo, que estuda com a gente o.Õ
Joana: É, morando sozinha.
Liane: Quer dizer então que você tá morando sozinha, hein?
Julia: Não tia, tô morando com o Jão.
Liane: Você entendeu o que eu quis dizer.
"Morar sozinha" não é um verbo seguido de um adjetivo. Não é morar sem mais ninguém. É ficar sem pai nem mãe para lavar a louça/lembrar-nos de lavar a louça. É não ter que ouvir chateações porque você deixou os sapatos espalhados e arcar com o home parkour exigido. Inclui também se alimentar direito [pelo menos pra quem se preocupa com isso - eu e João (quer dizer, acho que ele se preocupa)] e escrever receitas vegetarianas (no meu caso) variadas que vão durar a semana toda. Consumir os alimentos tomando cuidado para nenhum estragar.
Nunca achei que "morar sozinha" seria motivo de tanta desordem na casa; mas temos que lembrar que meu primo também é bagunceiro. Somos ambos proteladores(nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã), mas companheiros ("a louça tá grande, lava o que tem fora que eu lavo o que tem dentro dela"). Irresponsáveis (a barata apareceu por obra do acaso, não pelos restos de comida) e ao mesmo tempo responsáveis [o João passa suas roupas enquanto eu tiro as que já estão secas no varal - minha parte parece fácil, mas ninguém (leia-se João) faz e fica um amontoado de roupas a serem lavadas na máquina].
Em suma: Morar sozinho parece fácil, mas é difícil. Mesmo quando você mora sozinha com alguém.
Joana: Peraí, você tá morando sozinha?
Julia: Não, tô morando com meu primo, que estuda com a gente o.Õ
Joana: É, morando sozinha.
Liane: Quer dizer então que você tá morando sozinha, hein?
Julia: Não tia, tô morando com o Jão.
Liane: Você entendeu o que eu quis dizer.
"Morar sozinha" não é um verbo seguido de um adjetivo. Não é morar sem mais ninguém. É ficar sem pai nem mãe para lavar a louça/lembrar-nos de lavar a louça. É não ter que ouvir chateações porque você deixou os sapatos espalhados e arcar com o home parkour exigido. Inclui também se alimentar direito [pelo menos pra quem se preocupa com isso - eu e João (quer dizer, acho que ele se preocupa)] e escrever receitas vegetarianas (no meu caso) variadas que vão durar a semana toda. Consumir os alimentos tomando cuidado para nenhum estragar.
Nunca achei que "morar sozinha" seria motivo de tanta desordem na casa; mas temos que lembrar que meu primo também é bagunceiro. Somos ambos proteladores(nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã), mas companheiros ("a louça tá grande, lava o que tem fora que eu lavo o que tem dentro dela"). Irresponsáveis (a barata apareceu por obra do acaso, não pelos restos de comida) e ao mesmo tempo responsáveis [o João passa suas roupas enquanto eu tiro as que já estão secas no varal - minha parte parece fácil, mas ninguém (leia-se João) faz e fica um amontoado de roupas a serem lavadas na máquina].
Em suma: Morar sozinho parece fácil, mas é difícil. Mesmo quando você mora sozinha com alguém.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Olhos verdes.
Ele é novidade, você é antiguinho. Ele é o cara, você é só fofinho. Suas habilidades fazem todos se surpreenderem. Inclusive você, mas você não quer dar o braço a torcer. E quando ele as bota em prática, você fica esquecido, lá no cantinho.
Você pode até ter amigos. Mas se ele chega a atenção se volta para ele, e você fica tentando se dar bem num assunto em que você não domina.
Desistie, vai. Quais são suas aptidões? Do que você é capaz? Não entende que ninguém se interessa por você? Quanto mais essas constatações vêm à sua mente, mas seus olhos se esverdeiam. E quando tudo acabar, quem vai ser lembrado é ele, não você. Ah, claro: você era o simpático, o fofo, o...o...que mais? É só isso que você é?
Começa a botar as manguinhas de fora pra se fazer notar, porque senão, o brilho dele vai ser tão resplandescente que vai te ofuscar a tal ponto que você não ficará na memória de ninguém.
Você pode até ter amigos. Mas se ele chega a atenção se volta para ele, e você fica tentando se dar bem num assunto em que você não domina.
Desistie, vai. Quais são suas aptidões? Do que você é capaz? Não entende que ninguém se interessa por você? Quanto mais essas constatações vêm à sua mente, mas seus olhos se esverdeiam. E quando tudo acabar, quem vai ser lembrado é ele, não você. Ah, claro: você era o simpático, o fofo, o...o...que mais? É só isso que você é?
Começa a botar as manguinhas de fora pra se fazer notar, porque senão, o brilho dele vai ser tão resplandescente que vai te ofuscar a tal ponto que você não ficará na memória de ninguém.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Mulherzinha!
"Mulher de vez em quando gosta de encarnar a mulherzinha, aquele espírito maldito que desce de vez em quando pra fazer a gente se sentir super tudo e nada ao mesmo tempo. Tipo quando você acabou de sair da sessão semanal de cabeleireiro (se você tiver paciência de ir) e fica se achando gostosíssima; esquece que não nasceu pra ser loira-burra. O pior de encarnar a mulherzinha não é ter como objetivo supremo homens aos seus pés e aura de sereia. O pior é quando a gente para pra ler o jornal e lembra que o mundo tá em guerra e a economia tá uma merda. Aí bate aquele pesinho na consciência e a gente se sente mal por ficar preocupada com o número de homens que a gente tá tentando beijar enquanto as criancinhas estão morrendo no Sudão e coisa do tipo.
Acontece que existem mulheres que não encarnam essas mulherzinhas, elas são as próprias. O tipo de gente que nós vemos nas revistas de fofocas (ai, que coisa de mulherzinha), na balada, na faculdade, no ar e por todos os lugares, e que não entende que o mundo não vai acabar se a sua unha quebrou ou se o cabelo tá estático por causa do tempo.
Tudo bem, de vez em quando é legal encarnar uma dessas e virar a femme fatale porque você se encheu de ser a encalhadona, mas E A CABEÇA, MULHERADA? Devia existir centro de reabilitação para este tipo de gente. E eu não tô falando só de mulheres não, tem muito homem encarnando a mulherzinha também. Sabe aquela frase bonitinho, mas ordinário? Nossa, perfeita para esse estilinho de humanóides.
Por quê eu tô com tanto ódio nesse meu coraçãozinho? Quero ver se esqueço um pouco os anúncios de revistas recheados de mulheres lindas e se fico menos deprimida com a minha aparência estilinho-ai-como-sou-fora-do-padrãozinho (SAI, MULHERZINHA)."
(Ana Ísis Marpedice)
Acontece que existem mulheres que não encarnam essas mulherzinhas, elas são as próprias. O tipo de gente que nós vemos nas revistas de fofocas (ai, que coisa de mulherzinha), na balada, na faculdade, no ar e por todos os lugares, e que não entende que o mundo não vai acabar se a sua unha quebrou ou se o cabelo tá estático por causa do tempo.
Tudo bem, de vez em quando é legal encarnar uma dessas e virar a femme fatale porque você se encheu de ser a encalhadona, mas E A CABEÇA, MULHERADA? Devia existir centro de reabilitação para este tipo de gente. E eu não tô falando só de mulheres não, tem muito homem encarnando a mulherzinha também. Sabe aquela frase bonitinho, mas ordinário? Nossa, perfeita para esse estilinho de humanóides.
Por quê eu tô com tanto ódio nesse meu coraçãozinho? Quero ver se esqueço um pouco os anúncios de revistas recheados de mulheres lindas e se fico menos deprimida com a minha aparência estilinho-ai-como-sou-fora-do-padrãozinho (SAI, MULHERZINHA)."
(Ana Ísis Marpedice)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Um furacão de arroz e feijão.
Esse menino aí das fotos é o meu primo, que vai morar comigo este ano. Seu nome é João Furaca. Ele tem esse apelido porque, quando criança, era como um furacão (dã).
Hoje, nós resolvemos fazer comida em casa, logo depois da excursão escolar para o cinema, ver o Lixo Extraordinário (que aliás é ótimo, recomendo!). Pedimos até ajuda à Cibele, a coordenadora:
- Deixa o feijão de molho em água morna, pra amolecer, bota na panela de pressão e, quando começar a apitar, abaixa o fogo. Daí refoga o alho com óleo e bota o feijão lá.
Certinho. Tivemos que fazer arroz também, tinha acabado o que estava pronto.
Prova daqui, prova de lá...
- Julia, e se a gente usasse este tempero aqui?
- Esse caldo pronto da Knorr? Isso aí tem gordura de bacon.
- Mas só um pouquinho...
- Ai, tá. Ai de você se isso não ficar bom, hein?
Olha, não ficou ruim. Mas não estava aqueeeele arroz com feijão. O feijão ficou meio ralo, o arroz ficou queimadinho. Mas ficou com um gosto que pouco arroz e feijão tem: o do companheirismo. E um brinde à essa refeição! A primeira de muitas!

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